PRESBIACUSIA: QUANDO OUVIR DEIXA DE SER TÃO SIMPLES
“EU OUÇO, MAS NÃO PERCEBO O QUE DIZEM.”
Esta é uma frase que ouvimos frequentemente em consulta.
Muitas pessoas acreditam que esta dificuldade faz parte do envelhecimento e que “não há nada a fazer”.
No entanto, esta alteração tem um nome, pode ser avaliada e, na maioria dos casos, existem soluções que melhoram significativamente a qualidade de vida.
Chama-se presbiacusia e é a causa mais frequente de perda auditiva nos adultos mais velhos.
O QUE É A PRESBIACUSIA?
A presbiacusia é a perda gradual da audição associada ao envelhecimento. Trata-se de um processo natural, provocado pelas alterações que ocorrem ao longo dos anos nas estruturas do ouvido interno e nas vias auditivas responsáveis pelo processamento do som.
Embora faça parte do envelhecimento, a sua evolução varia de pessoa para pessoa. Fatores genéticos, exposição prolongada ao ruído, doenças cardiovasculares, diabetes, tabagismo e alguns medicamentos podem acelerar este processo.
QUAIS SÃO OS PRIMEIROS SINAIS?
A perda auditiva instala-se lentamente, o que faz com que muitas pessoas não se apercebam das alterações.
Os sinais mais frequentes incluem:
- dificuldade em compreender conversas, sobretudo quando existe ruído de fundo;
- necessidade de aumentar o volume da televisão;
- pedir frequentemente para repetir o que foi dito;
- maior dificuldade em ouvir vozes femininas ou infantis;
- sensação de que as pessoas “murmuram”;
- maior esforço par acompanhar reuniões ou refeições em família.
É muito comum ouvir:
“Eu ouço bem, só não percebo as palavras.”
Na realidade, o cérebro deixa de receber informação suficiente, especialmente das frequências agudas, onde se encontram muitos sons responsáveis pela distinção entre palavras.
É APENAS UM PROBLEMA DOS OUVIDOS?
Não.
Atualmente sabemos que ouvir é um processo que envolve não só os ouvidos, mas também o cérebro.
Quando existe uma perda auditiva prolongada, o cérebro recebe menos informação sonora. Com o tempo, isso aumenta o esforço necessário para compreender a fala, provocando maior fadiga mental.
Diversos estudos científicos demonstram ainda uma associação entre perda auditiva não tratada, isolamento social, sintomas depressivos e maior risco de declínio cognitivo.
Por isso, a audição deve ser encarada como uma componente essencial da saúde global.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
O diagnóstico é simples, indolor e realizado através de uma avaliação auditiva completa.
Dependendo de cada caso, podem ser realizados exames como:
- Audiometria Tonal
- Audiometria Vocal
- Timpanometria e Estudo dos Reflexos Auditivos
- Avaliação da compreensão da fala, incluindo situações de ruído
A avaliação deve ser complementada por uma consulta de Otorrinolaringologia para excluir outras causas de perda auditiva.
EXISTE TRATAMENTO?
A perda auditiva provocada pela presbiacusia não pode ser revertida, mas pode ser eficazmente compensada.
Atualmente, os aparelhos auditivos são dispositivos altamente tecnológicos, discretos e inteligentes. Adaptam-se automaticamente aos diferentes ambientes sonoros, melhoram a compreensão da fala e reduzem significativamente o esforço auditivo.
Quanto mais cedo for feita a adaptação, maior é a capacidade do cérebro para voltar a interpretar corretamente os sons.
Esperar demasiado tempo pode dificultar o processo.
QUANDO DEVO PROCURAR AJUDA?
Recomenda-se uma avaliação auditiva sempre que exista alguma das seguintes situações:
- Dificuldade em compreender conversas;
- Necessidade frequente de pedir para repetir;
- Aumento constante do volume da televisão;
- Familiares que referem que a pessoa “já não ouve bem”
- Idade superior a 60 anos, mesmo sem queixas evidentes.
A audição permite-nos comunicar, participar nas conversas, manter relações sociais e preservar a autonomia.
Reconhecer precocemente uma perda auditiva é um passo importante para manter uma boa qualidade de vida.
Se tem dúvidas sobre a sua audição ou se alguém próximo tem demonstrado dificuldades em ouvir, não ignore os sinais.
Uma avaliação auditiva pode fazer toda a diferença.
